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Uma miragem chamada "comércio electrónico"
 
     
 

Diana Ralha PÚBLICO

A penetração do computador e da Internet nos lares portugueses é uma realidade, mas as lojas virtuais não atraem a mesma legião de adeptos nacionais. Apenas cinco em em cada cem internautas fizeram, pelo menos uma vez, uma compra "online", diz-nos a Marktest.

Que comércio electrónico existe em Portugal? Se é certo, por um lado, que, segundo as últimas estatísticas, cada vez mais lares portugueses estão equipados com computador pessoal, e que o acesso à Internet - seja no lar, trabalho ou escola - registou um forte crescimento nos últimos cinco anos, é também verdade que os portugueses ainda não aderiram à "moda" de ir às compras à distância de um clique.

Segundo o Bareme Internet da Marktest, reportando ao primeiro trimestre de 2002, os portugueses maiores de 15 anos que já fizeram pelo menos uma vez compras "online" representam apenas 4,8 por cento do total. Segundo o mesmo estudo, apenas 1,3 por cento da amostra (1200 indivíduos) tinha efectuado uma compra através da Internet nos últimos 30 dias.

O capítulo dedicado ao comércio electrónico do "Observador 2002", um estudo de tendências de consumo da Cetelem Portugal, apresenta números um pouco mais animadores. Mas, ainda assim, segundo esta pesquisa, 79 por cento dos internautas nunca utilizaram este meio para a aquisição de bens e/ou serviços. Três por cento afirmaram fazê-lo frequentemente e 18 por cento dos ocasionalmente. A Internet é utilizada sobretudo para obter informações e utilizar o correio electrónico, segundo este estudo.

À semelhança do que o Bareme da Marktest aponta, são os livros, CD e DVD os produtos mais procurados no universo virtual da "net". As principais barreiras apontadas, por ambos os estudos, para a plena massificação do comércio electrónico são idênticas e estão ligadas à falta de confiança na segurança (quer dos dados, quer do próprio computador), seguindo-se o facto de os portugueses preferirem as montras físicas às virtuais. Segundo o Bareme, uma grande maioria (mais de 45 por cento) dos que já recorreram ao comércio electrónico prefere o pagamento das compras contra a entrega. Apesar do receio, o cartão de crédito é utilizado por cerca de 40 por cento dos compradores da "net", diz-nos o estudo. O pagamento por cartão de débito (multibanco) é a escolha de apenas dez por cento dos consumidores electrónicos.

Portugal na fila da frente na tecnologia
Curiosamente, Portugal é um dos países mais avançados tecnologicamente, ao nível internacional, nos meios de pagamento "online". Em Setembro do ano passado, a Unicre e a Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS) lançaram o MBNet, uma forma de pagamento "online" associada a um cartão de débito - independentemente de qualquer que seja o banco ou entidade emissora -, universal (é utilizável em "sites" nacionais e estrangeiros) e com níveis de segurança elevadíssimos. A SIBS e a Unicre investiram cinco milhões de euros na primeira fase do projecto e o balanço que fazem dos seus primeiros seis meses é positivo, embora aquém das expectativas: vinte mil adesões de Setembro de 2001 até Março e valor médio de cada transacção rondando os 56 euros.

Devido a algumas dificuldades reportadas pelos clientes do serviço, essencialmente ligadas à sua complexidade, o MBNet sofreu uma reestruturação recente. Victor Bento, presidente da SIBS e da Unicre, referiu, na apresentação das novas funcionalidades do MBNet, que os meios de pagamento nacionais estão a evoluir muito mais depressa do que o próprio comércio electrónico em Portugal, mas o responsável está confiante que esse também pode ser um eixo dinamizador desta plataforma de comércio que ainda não convenceu os portugueses.

 
     
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  22 de Abril de 2018  

 

   
 
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