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Energia Fotovoltaica em Portugal
 
     
 

As energias renováveis têm de representar 39 por cento do consumo em Portugal até 2010. A meta é ambiciosa, mas tem de ser cumprida. Ao fotovoltaico foi atribuída uma quota de 150 MW. Esse valor poderá ser alcançado com a construção da mega central projectada para o Alentejo, mas também com a ajuda de micro-centrais fotovoltaicas espalhadas pelo país.

A maior central de energia solar do mundo vai ser construída no Baldio das Ferrarias, na Amareleja, concelho de Moura. A escolha não foi por acaso: este é o local do planeta com maior número de horas de sol.

Mais de 100 hectares de painéis solares fixos e móveis – uma dimensão 12 vezes superior ao maior projecto actualmente existente na Alemanha – vão produzir 64 MW de energia.

O sistema folovoltaico converte a energia solar em electricidade devido ao seu material semi-condutor. Com a ajuda de um conjunto de baterias pode-se armazenar energia ou então optar por injectá-la directamente na rede eléctrica.

A divulgação da central fotovoltaica de Moura já foi iniciada com a colocação de microcentrais solares em três escolas do concelho, com potência somada de 75 KW.
O objectivo é criar nos alunos o interesse pelas energias limpas e ao mesmo tempo beneficiar os estabelecimentos de ensino, que vendem a energia produzida à Rede Eléctrica Nacional naquilo que é apenas o início de um megaprojecto. Segundo José Manuel Oliveira da Amper, a empresa promotora do empreendimento, “esta central com a dimensão que tem, possibilita uma série de mais valias para a região, muito para além da comercialização e da produção da energia eléctrica. Dentro dessas mais valias conseguiu-se negociar com o fornecedor da tecnologia, que é a BP solar, a instalação de um fábrica de painéis na região, vai ficar no tecnopólis de Moura. Além dessa fábrica vai também, ou está-se em negociação para trazer um fábrica de inversores e já há mais negociações com dois grupos interessados em instalar unidades de produção no tecnopólis de Moura-Beja.”

A ideia é lançar um projecto de desenvolvimento sustentável com o objectivo de tirar Moura do conjunto das regiões mais deprimidas da União Europeia.
Com a instalação destas indústrias pretende-se trazer para o concelho 150 postos de trabalho directos e 1000 indirectos.

A construção da central vai ser feita em três fases, como explica José Oliveira: “Vai ser feita ao longo de cinco anos, mas vamos injectar primeiro na rede 2,8 MWp, porque aqui na subestação da Amareleja não há capacidade para receber mais energia. Depois tem uma segunda fase que vamos conseguir injectar 14,8 MWp na subestação de Moura e finalmente em Outubro de 2006 vai estar pronta a subestação de Alqueva que não é da Amper e aí vamos conseguir ligar, finalmente os 64 MW.”

A data prevista para o início da colocação do primeiro painel já foi ultrapassada. Mas segundo a entidade promotora do empreendimento, a AMPER, a instalação começará ainda este ano, só falta acertar o preço das tarifas. “Estávamos convencidos e era o nosso desejo que iríamos conseguir fazer a adjudicação já este ano, no último trimestre. Ainda não perdemos a esperança, só que a negociação prolongou-se um pouco mais do que aquilo que era a nossa expectativa inicial,” conta o administrador da AMPER.

Enquanto se espera pelo arranque desta central, vão surgindo pequenas instalações solares. Em Dezembro do ano passado entrou em funcionamento a primeira Microcentral fotovoltaica licenciada, ligada à rede eléctrica nacional, em regime de produção especial. “O regime de produção especial tem uma tarifa verde que no caso do fotovoltaico é diferenciada também em função da potência instalada. Neste caso, esta é uma instalação de 5 KW que nos permite um preço médio de venda, ligeiramente superior a 53 cêntimos o KW/hora. Este preço é actualizado mensalmente de acordo com a evolução do preço ao consumidor,” explica o proprietário, João Carvalho.

Esta central vende ao concessionário da rede local a totalidade da energia produzida e está localizada no concelho de Barcelos.

A instalação é propriedade da COEPTUM Engenharia e foi concebida em colaboração com a Suntechnics – uma empresa alemã.

O sistema é completamente automático e não necessita de técnicos em permanência no local. No final de cada mês o proprietário só tem de enviar a leitura do contador e respectiva factura ao concessionário da rede, que é a EDP.

Trata-se de um investimento na ordem dos 30 mil euros que tem um retorno estimado de sete anos.

Portugal tem como meta 39 por cento de produção de energias renováveis até 2010. A quota atribuída ao fotovoltaico foi inicialmente de 50 MW, mas devido à apresentação do megaprojecto de Moura, a fasquia subiu para 150MW. Segundo os especialistas, trata-se de uma meta muito ambiciosa e nem todos acreditam que será cumprida. “Não me parece por motivos que se encontram em sítios muito diferentes. A começar na própria educação das pessoas, da sensibilidade que as pessoas mostram, a receptividade das pessoas a este tipo de equipamentos. A própria administração pública não está preparada para tratar com a celeridade devida o licenciamento destas instalações. Esta instalação demorou um ano a licenciar. Parece-me extraordinário e inconcebível mas é o que temos e é com isso que temos de lidar e a esta velocidade nem em 2100,” desabafa João Carvalho. Mas José Manuel oliveira é mais crente: “eu sou optimista por natureza e quero crer que sim, que Portugal vai em 2010 conseguir atingir essa meta. Vejo com alguma dificuldade, mas também creio que o problema não está nas mãos dos investigadores, porque há intenção de investir e há pessoas que estão interessadas em fazer disto um negócio também. Portanto eu diria que pela parte dos investidores que a meta seria alcançada, mas há todo um problema, questões por trás, que se prendem muitas vezes com aspectos burocráticos e que já não são só os investidores que podem resolver.”

Só faltam seis anos para o fim do prazo...e há quem não acredite que o país burocrático consiga, em tão pouco tempo, passar a produzir, através de fontes renováveis, quase 40% de toda a energia eléctrica que consome.
Mesmo com a ajuda do Alqueva e de outras barragens, dos muitos parques eólicos licenciados e da Maior Central Solar do mundo!!!

Filipa Costa Prenda
26/06/2004 Tecnologia

 
     
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  21 de Janeiro de 2018  

 

   
 
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